domingo, 5 de janeiro de 2014

Cena do Mar (289)

"Cena do Mar "
Grafite e carvão sintético s/ papel Fabriano 200g.
86cm x 70cm.
2014

Talvez a paisagem não evoque apenas um passado literário, ou mitológico, ou outro qualquer que seja deste tempo, mas sim uma presença. Talvez a fotografia e a reprodutilibidade das imagens dos nossos dias nos tenha afastado da origem da representação da "natureza" - das cidades e dos campos onde crescem palhas, das dunas perto do mar e das nuvens que são a casa de alguns pássaros. A facilidade de recepção dessas imagens impressas retirou-nos a capacidade de nos impressionarmos. Uma paisagem pintada, ou um fundo da "natureza" aparece quase sempre repleto de constragimentos perante o olho habituado à televisão. Esta fatalidade, a de acreditarmos que somos mais livres por não ver, por mudar de canal, cegou-nos. O campo/ fundo é uma espécie de natureza onde o espírito divaga sobre a possibilidade de acrescentar um episódio novo ao andamento narrativo que podemos construir em solidão.