quarta-feira, 14 de maio de 2014

AVANTI POPOLO (297)

 

Subitamente, o povo.

Museu de Évora, largo Conde de Vila Flor.
5 de Junho 18h (até 31 de Agosto)

 

Série de desenhos que flutua entre o acessível da “low culture” e a visão concentrada e saturada de um mundo de imagens como um levantamento de preciosidades históricas que remetem o observador para o espaço do museu.

O terreno é provavelmente o da antropologia-visual, a partir das pessoas comuns que dão corpo a diferentes personagens. São heróis de uma “pintura” cuja natureza romanceada faz parte de um laboratório enciclopédico, repletos de uma multiplicidade de equívocos e criados para um colector de memórias.

 

O lugar do espelho de uma única via é o lugar sem lugar. O observador, como que à entrada de uma tenda de atracções, convoca a visão, a percepção e o olhar presentes nestes trabalhos; figuras desenhadas contra um pano de fundo olham-nos profundamente, enquanto alguém anuncia que nesta companhia de teatro todos são bem vindos, todos podem entrar e ser artistas.

 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Cena do Mar (289)

"Cena do Mar "
Grafite e carvão sintético s/ papel Fabriano 200g.
86cm x 70cm.
2014

Talvez a paisagem não evoque apenas um passado literário, ou mitológico, ou outro qualquer que seja deste tempo, mas sim uma presença. Talvez a fotografia e a reprodutilibidade das imagens dos nossos dias nos tenha afastado da origem da representação da "natureza" - das cidades e dos campos onde crescem palhas, das dunas perto do mar e das nuvens que são a casa de alguns pássaros. A facilidade de recepção dessas imagens impressas retirou-nos a capacidade de nos impressionarmos. Uma paisagem pintada, ou um fundo da "natureza" aparece quase sempre repleto de constragimentos perante o olho habituado à televisão. Esta fatalidade, a de acreditarmos que somos mais livres por não ver, por mudar de canal, cegou-nos. O campo/ fundo é uma espécie de natureza onde o espírito divaga sobre a possibilidade de acrescentar um episódio novo ao andamento narrativo que podemos construir em solidão.