terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

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Aviso à navegação e ao público amigo em geral.

Estão todos convidados. Vai ser uma festa. Prometo que vai. E quando digo todos, quero mesmo dizer todos. Todos, com uma pequena excepção. Uma coisa de circunstância, um detalhe que caracteriza a excepção e que não vou com ele agora perder tempo. Todos são todos, e pronto. Por isso digam de boca em boca, ou gritem alto, façam como queriam. Digam por aí que vai haver festa na Fonte de Letras. O artista/ poeta é da casa e apresenta-se na sua única primeira pessoa.

Estão todos convidados, volto a dizer. É a festa oficial do lançamento do NAVIO à água. É verdade, o barquito parte no Domingo, dia 24 de Fevereiro. Espera-se que parte bem.

NAVIO é uma edição &etc. A &etc é uma casa antiga recheada de artistas, poetas e escritores. Todos marinheiros de primeira qualidade. Talvez consiga arrancar o Vitor Tavares, editor de cânones e sinfonias literárias da Rua da Emenda. Talvez o consiga trazer, do conforto de Lisboa, até à Fonte do Alentejo. Navio está um livrivrinho bonito, quase metafísico e que se inscreve com gosto no idioma da poesia.

Mas a vamos a factos, no tal Domingo, nesse dia 24, à festa na livraria mais bonita MUNDO. Vamos lançar o NAVIO contra a corrente da vida. Espera-se bom tempo na costa, dado que a coisa feita de poesia como é, torna-se frágil e, por vezes, estas coisas voltam-se de borco.

Lá vos espero, no dia 24 de Fevereiro, na Fonte de Letras, às 5 de la tarde, eu, Capitão de mar e guerra, piloto experimentado em travessias perigosas e embarcações de recreio, e o meu amigo Luis Serra como primeiro imediato, conhecedor da palma da mão e de outros trilhos secretos que eu cá sei.

Lá vos esperamos. A vida é uma aventura. E eu gosto dela assim.

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

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Ao 18º dia, desenvaginadas, surgiram dos destroços as duas pérolas da tripulação. Miss I, enfermeira espacial, e Paula Bushenkova, cosmonauta especialista em comunicações inter-planetárias. No momento da explosão que se seguiu ao embate, estavam em hiper-hibernação nas cápsulas de sono. Herméticos e perfeitos, os casulos protegeram-nas, escapando ilesas do choque, do incêndio de grandes proporções, da destruição generalizada. Quando apareceram na frente do Capitão Flint que se esforçava por manter a moral dos companheiros ao nível do aceitável, nasceu um momento de esperança. A súbita alegria do reencontro contaminou os corações de plástico dos imediatos e do sargento especialista. O olhar de Flint brilhou no negrume da situação. A esperança espalhou-se viral. Trocaram beijos, abraços e palavras de conforto espacial ainda que, no íntimo de cada um, pairasse o espectro da condenação.

Paula Bushenkova entrou rapidamente no espírito que é necessário para construir uma equipa vencedora. Na academia de altos estudos espaciais formara-se com as melhores classificações, era uma mulher cheia de boa energia, e quando se empenhava a expressão do seu corpo espelhava o frémito do desejo, borbulhando de entusiasmo perante as dificuldades. Concertou num ápice o pequeno robot de serviço, substituindo-lhe os módulos queimados por novos que conseguiu montar a partir dos destroços da nave. Recuperou numa noite de trabalho a torre de telecomunicações, e encontrou forma de canalizar a energia das baterias da nave para a pôr a funcionar.

Miss I improvisou uma sala de operações e coseu o braço perdido de Joe Gold Caparica. Flint recuperava de um estado de melancolia profundo e voltava a comandar como se conhecera. Os imediatos, a postos, recolhiam peças dos destroços para construir um rover lunar que os levasse ao encontro da salvação.