quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

231

 

Navio largou hoje de Lisboa, dia 30 de Janeiro. O Vitor Silva Tavares enviou-me por correio azul, embalagem postal, os primeiros 10 exemplares saídos da Minerva. Parece que está muito bonito, disse-me pelo telefone. Está bonito por dentro e por fora. Quando se abre tem entre os desenhos poesia lá dentro. É uma caixa de música. Parece-me uma caixa de música.

Quem quer um, quem quer?

 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

230

Ao fim do dia, sem esperança de encontrar uma pedra de sal, uma gota de água que fosse para além da imensidão de plástico, regressaram aos destroços da nave. O capitão Flint, que usava uma tampa vermelha na cabeça, na companhia dos seus dois imediatos, o tenente George Eucalipto e o mais-que-tenente Alves Brick, acercou-se do sargento especialista Joe Gold Caparica.
O tenente Alves Brick estava exausto, tinha sede e já quase não se tinha de pé. Desde os tempos da academia que sofria de uma espécie de cegueira histérica que se manifestava nos momentos de aflição. Via apenas sombras e procurava desesperado a origem dos sons para se orientar. O pequeno robot de serviço estava completamente destruído, sem hipótese de concerto. No rosto inexpressivo do racional George, escrito a silêncio, era visível o anunciar da tragédia. Joe Gold Caparica perdera um braço durante a aterragem forçada, decepado numa porta automática de emergência. Esforçava-se por concertar o astro-rádio com a mão útil. Mas não era uma tarefa fácil, a hemorragia deixara-o demasiado fraco.
Quando a noite caiu naquele planeta azul cinzento acendeu-se uma luz junto à nave. Flint queimou numa pira os restos da tripulação. Ficou a observar o plástico que se derretia como um rio lamacento. Acendeu um cigarro e ficou a olhar o horizonte para lá da pira com um das mãos atrás das costas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

229

Depois daquela entrada descontrolada na atmosfera a nave embateu com estrondo na superfície deserta do planeta. Uma coluna de fumo assinalava o local. Estavam perdidos. O Capitão Flint não o escondia. Agora lutavam contra os elementos na planície de plástico que se estendia interminável e azul cinzenta. Para manter o equilíbrio mental necessário à sobrevivência, Flint assobiava. Partiram dos destroços tomando uma direcção incerta e fazia tempo que caminhavam sem esperança de encontrar socorro. O Capitão Flint que era um tipo alto que usava uma tampa vermelha na cabeça, disse a certa altura para os outros, dificilmente encontraremos o caminho de regresso. O mais baixo, o sargento especialista Joe Gold Caparica e o pequeno robot de seerviço que usava os braços em cruz, concordaram.

Flint que procurava manter a cabeça fria, observava uma e outra vez o horizonte, e determinava o melhor percurso. Os companheiros de aventura seguiam-no em silêncio. Tinham aterrado na planície da morte.