quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

149 e fatias de nada




Ali caem as coisas que caem podres da fonte de todas coisas simples.

148




Boletim emocionográfico do estado da alma do tempo: nem chuva, nem vento forte, apenas romances quiméricos e bolas de naftalinas, destas que se vendem nas pastelarias da rua onde moro e que têm o sinal do meu nariz. Espreitadelas furtivas no horizonte com previsão de entretelas de camisas velhas remetem para sinais de que alguma coisa estará para mudar. Obstáculos intransponíveis como nuvens vislumbram-se certos no ar. Ao longe tudo pode parecer pequeno e sem perigo, e assim, representando graça, somo levados a pensar que nada de mau acontecerá. Gomos de tangerina e pardais no céu azul do fim do dia anunciam alterações no clima do interior. E mais pardais vão chegando, dizem, daquele lado dali. Daqueles que anunciam outros estados que não a desgraça do espirito. Dias serenos avizinham-se pendurados em flores. Dias assim servem para olhar de frente os sonhos. Para olhar os sonhos um a um, e de frente, sem que seja preciso utilizar a saída de emergência situada mesmo ao lado da porta do paraíso, agora sem utilidade. Outras extravagancias, coisas sem nome, diletantes imagens. Talvez dragões, não sei ao certo. 


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

146




Porque choras tu dessa forma tão alegre se não tens mais que carpir na alegria que investes na vida? Aquilo que se ouvia, no meio da tempestade, era a voz profunda de um furacão, que levava ao colo a mulher cabeça-conta-de-vidro. Mais nada se ouvia.

... e assim, de súbito, um copo de água, um nariz, um abraço e outra vez aquela coisa que não sei como se chama, cheia de roscas e torcidos a cair do tecto; parece ser feita de cabelo, mas não tenho a certeza. 

... e faz de conta que sei o que é, e chamo-a pelo nome que sei chamar-se quando não sei o nome que hei-de chamar a coisas assim; desígnio de bicho cantante, couraça, feltro ou dedo no ar em caso de dúvida.

Rebolo no  chão do quintal, por cima das folhas mortas, onde mijam cães e por onde passam todas as mulheres do lago, escondido da voz do furacão sob a sombra de uma grande árvore. Afadigo as palavras todas e furam-se os olhos, um após o outro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

145


Já hoje numa folga que dei ao cigarro estive em frente a duas janelas.  A primeira tinha um sopro de vento que vindo de Sul agitava as árvores. A segunda um balde preso no alto de um mastro que existe numa fortaleza sem vida. Com ou sem memória, agita-se no teu cabelo cor de palha, (ou cor de fogo, ou sei lá a cor que tem a cor do teu cabelo quando o vento corre assim),  um jardim inteiro que gosto pensar ser só meu. É lá onde vejo as palavras que não sei dizer escritas pela ventania. Não estou para coisas simples. Tenho quase a certeza de pertencer à terra escura que é a imagem da segunda janela ao fim do dia. 
Um pássaro preto pousou na antena da televisão do vizinho e disse-me: aqui no teu quintal, chove pelo mundo inteiro. Não te prantes mais que eu estou mesmo ao pé de ti.

domingo, 20 de novembro de 2011

144




Górgias, o leve ser das águas do lago, disse olhando a mulher-cabeça-de-lagarto, como és bela. A tua beleza crua, continuou, faz-me sorrir por dentro do meu corpo. Tudo quanto pretendo ao olhar-te é acariciar os teus seios. A mulher, da cor vermelha das romãs, despiu-se feliz. Górgias sentiu-a no toque das mãos e uma espécie de feltro caiu do céu em forma de curiosos farrapos sedosos. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

143




Era azul por dentro mas não tão azul como possam imaginar. Era azul à volta pelo lado de dentro o suficiente para reflectir uma espécie de azul profundo, da cor dos lagos espessos, das árvores enormes e dos animais como nuvens no céu e para lá do céu e das outras coisas azuis. Azuis diferentes, diga-se. Azulino a que respeita o estado das coisas em geral, era o que se via do lado de fora, antes de entrar. E cogumelos. Cogumelos venenosos que atapetavam vias comunicantes ladeadas por vendavais.

Por vagas o vento sopra que é como dizer de outra forma insuflar. Contínuo, ondulante e azul. Uma coisa quando aparecesse, vê-se ao longe. Um dia azul, por exemplo, vê-se em todo o lado.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

142 (da Lua Nova)



No aranhal nada de novo. Um prado novinho em folha ergueu-se no limite da floresta que circunda o pequeno lago. A mulher-cabeça-de-veado cortou a língua e entregou-a às outras mulheres. Recebeu-a a madressilva com as mãos postas num acto de serenidade.
_Para que me dás tu a tua língua.
_Para que me possas falar na minha língua. Disse com palavras empapadas em sangue. Mil cabeças de alfinetes voaram no céu desse dia. As flores cresceram e envolveram todas as cadeiras onde sentavam as mulheres, cobriram as mulheres que se uniram para sempre às flores. A água ferveu virulenta no centro do lago e ergue-se Górgias, o morto. O dia acabou com a imagem de um gato tranquilo a lamber uma pata através de um limoeiro.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

141 da nova fase


O teu lago perfuma-se a si mesmo. Tem cada coisa o seu tempo. As palavras debotam-se de tanto se usarem. Morrem dentadas na fome. Queres uma bandeira em forma de floco de neve? Perguntou o mestre sapo ao rapaz descuidado. A memória aviva-se noutro sentido. Todas as perguntas que não tens na cabeça estão noutro sítio qualquer. Sou um pássaro.

sábado, 8 de outubro de 2011

140 é uma nova fase





A Lua preta no céu és tu às voltas com a morte. Um sapato, um cão, uma orelha, uma fivela de um cinto que caiu em desuso és tu também às voltas com tudo. A ver-te passar como és nas mãos abertas à tua espera, um suspiro de cão à Lua que aceita convites que se instalam ao desredor maravilhado do olhar, és, igualmente, tu. A tua árvore preferida plantada debaixo de um banco de jardim. Ali ao lado outro sapato, um homem sem sapatos, um lago verde. Uma mão perdida num aceno vago, indecisa. Uma mão lava, a outra encolhe. Chamas, por fim, alguém sai ai teu encontro.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

139



Eu cá ia caindo da bicicleta abaixo por se me ter partido um pedal. Ficar sem pedal na bicicleta é como andar nos sapatos dos outros e, provavelmente, é pensar como os outros pensam, dizer igual o que os outros dizem. Estou sem pedal, portanto. Coxo do pedal esquerdo não posso ir e vir com é meu hábito. Ando, assim, pelos convenientes pés que levam e trazem.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

138t


Eu tenho melhores coisas onde gastar o meu tempo, para perder a minha energia, ou salivar de prazer. Eu tenho tudo isto mesmo aqui à mão de semear. Nas minhas costas plantam-se a filha do chinês a olhar o grande lago de todas as palavras e o homem das borboletas em dia sheeler's green. Mas há dias em que não posso deixar de reparar na ignorância asinina que traja a verdade por onde passa. Afinal que merda de país é este? Que raio de homem do leme elegemos nós para Presidente da República que está à espera que o governo da cor do Governo Regional da Madeira espere que o primeiro (e único) castigo do Sr. Alberto  se reflicta no acto eleitoral da ilha.

Já que o governo não consegue corrigir, proponho eu: que em conjunto, nós o povo, dividamos entre si os custos da contratação de um advogado e levemos a tribunal estes senhores que são a causa da presença do FMI em Portugal. 

É certo que existem causas exteriores para o nosso momento de crise económica... mas, convenhamos, temos sido governados por sucessivas quadrilhas de ladrões.

domingo, 28 de agosto de 2011

136



Procuro modelo feminino/ masculino 
para sessões de desenho de observação.

Paga-se, claro. (Montante a combinar)

Horário: Sábados das 9:00h, às 12:00h.

contacto jmgervasio@gmail.com

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

134



Bleuretália 
(achados, infructuosidades e quadros pintados)


 14 de Agosto, 19:00h, Galeria Municipal de Montijo.
Rua Almirante Cândido dos Reis, n.º 12, Montijo.


Até 30 de Outubro de 2011.

133


FIM (como no cinema)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

132

História de uma peça que há muito já tinha nascido


Respira-se de alívio no estaleiro. A coisa ganhou corpo avindo da forma. Hoje, os operários, dormem todos nas suas casas. 

domingo, 7 de agosto de 2011

131



História de uma peça que não quer nascer

Uma das entidades pousou no interior da grande torre. Os operários sorriram. A coisa ficou a viver lá dentro para alegria de todos. Nada mais a declarar, regressaram ao trabalho.

130

História de uma peça que não quer nascer

As vistas têm-se sucedido.  Entidades volantes têm pousado no estaleiro. O vai-vem entre o céu e este pedaço de terra faz-se de afigurações. Os operários descansam nestes instantes. O trabalho árduo continua. O fim está próximo, sente-se.

129


Foda-se, bem podias ter trazido o recorte do Expresso, sempre te via a rir de ti mesmo. 
Tens vergonha desse dom, do de escrever aquelas coisas todas bestiais? Ou é só tanga para usar ao Domingo? O teu livro novo tem poemas a cheirar a cona que se fartam. Eu cá, muito da Abissínia da Fonseca, gosto muito.

Dele mesmo, do Luis Serra, 
Tudo Voltaire ao cabaré


Poética de manhã

escreverei ave ou jangada
ou uma infância a pedalar

escreverei teatro de marionetas
fenómenos e pancadas

escreverei amor num Volkswagen




sábado, 6 de agosto de 2011

128


História de uma peça que não quer nascer.

No fim do dia, esperando que as línguas se não lhes tivessem misturadas umas com as outras, sentaram o cansaço no chão do estaleiro. Os operários deixaram que alma se soltasse do fardo do trabalho. Um deles falou e todos compreenderam o que disse. Apesar de construída em altura, não trouxe a Babel má fortuna. Depois, no ar dos assobios, tocou a sereia. O apito fez com que todos recolhessem as mãos. Amanhã há mais poesia e pó branco de polir.

127

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

126

(Em montagem)

Bleuretália
(achados, infructuosidades e quadros pintados)


Para ver na Galeria Municipal de Montijo, Rua Almirante Cândido dos Reis, n.º12.
Abre a 14 de Agosto, às 19:00h, até 30 de Outubro de 2011.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

125


História de uma peça que não quer nascer.

A fotografia está tremida. Foi tirada  num instantâneo que não deu tempo para pensar outros resultados.  Uma nave espacial vinda de outros mundos saudou desfocada os operários no estaleiro. O tempo parou por alguns momentos de boca aberta ao espanto.

124


História de uma peça que não quer nascer.


Os operários regressaram repletos de sal e histórias vélicas que sabem contar com Canoas da Picada e Botes de Fragata. Acenderam os fogaréu e olharam a obra ainda nua. Há que vestir o corpo das coisas procurando-lhes a forma. Assim têm feito.

terça-feira, 26 de julho de 2011

123


História de uma peça que não quer nascer.

Os operários tiraram o dia de folga, fizeram gazeta, sei lá. Bem-aventurados, enviaram-me uma imagem do sítio onde se encontram. Parece que foram a banhos para parte incerta junto ao mar. Deixaram no local da obra o tal guarda-livros que, para além de zelosa pessoa, gosta de figos, de melão e de especiarias aromáticas.

domingo, 24 de julho de 2011

122


História de uma peça que não quer nascer.

Os operários foram dormir. Ficou um tipo que é guarda-livros a tomar conta da obra.



sábado, 23 de julho de 2011

121


História de uma peça que não quer nascer.


As arestas vivas são difíceis de fazer em forma de rabo de peixe.

120




História de uma peça que não quer nascer.

Ao Sol Aurora em peças espera que os operários voltem do horário do almoço. 
Para o meio dia da tarde prevê-se sonhar em altura, polir as massas grosseiras nas arestas finas, moldando os desejados perfis. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

119


O Cinecoiso e o Espaço do Tempo

apresentam,

NOT ONE LESS

Um filme de Zhang Yimou.
Uma menina é chamada a substituir um professor que se ausenta. 
Nenhum dos alunos deve fugir da escola.
É para ver dia 15 de Julho, às 21:30h, no Espaço do Tempo (Convento da Saudação).

domingo, 10 de julho de 2011

118


Deu-me hoje para não ser. Bebi água das jarras de flores que existem em casa. Visitei-me nos espelhos pendurados nos longos corredores onde se deposita a secura do estio. Abri janelas e flutuei nas correntes de ar que inundaram o espaço. Ouvi uma cigarra na chaminé de tijolo a esfregar as costas com energia estival. Hoje fiquei sem ser durante muito tempo. Hoje não fui. Às vezes sou assim.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

116




Lamento não ter outras palavras escritas. Mas tenho estado debaixo do sol e não consigo abrir os olhos com facilidade. De olhos fechados a luz intensa impede-me de ver. Fico na luz por mais um momento até que se me acabem os víveres.  Ainda tenho pão escuro, manteiga e seiva de ácer que bebo para matar a sede. Quando se acabar o pão, a manteiga, e o xarope hei-de voltar para dizer que o pão endurece a fome e a luz excessiva cega sem piedade.

domingo, 29 de maio de 2011

114




À Prudência
( Atenta tanto às coisas dos gatos, como às horas do dia. Também ao fio condutor que une a luz ao negrume que passa despercebido à maioria de nós).

Escolhi entre os meus livros um. Vou ler-te uma coisa que lá vem escrita (entenda-se escrever-te). Uma coisa que me parece ser de gato, delicada e subtil. Encontrei o Bataille a palavrear contra um certo leão castrado que, sem qualquer ambição intelectual bacoca da minha parte, te remeto.

Parece que "O homem vive confinado ao seu círculo - estreito na sua própria dimensão e distraído do universo dos planetas e estrelas onde a Terra que o suporta risca um traço de uma impressentível velocidade. Reduz o céu nocturno a um espectáculo de luzes e a sua visão diurna hesita, sem enfrentar esse foco deslumbrante que o ilumina e ele não pensa como estrela mas força insuportável que o seu olhar evita e só desafia se não medir os riscos de uma cegueira que o conduzirá às trevas. (...)"

E continua dizendo na introdução do mesmo livro que "(...) Todas as ilações devem ser caucionadas com alguma Prudência.(...)"

In O ânus solar (e outros textos), George Bataille, Introdução e Apresentação de Aníbal Fernandes.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

115


NA PELE DA FLOR DA PELE E OUTRAS HISTÓRIAS


(Amanhã na Galeria Municipal de Montemor-o-Novo, 18:30h)

Seguia na proa do barco, de pernas cruzadas, sentado no chão a ver rasgar o rio com o nariz distraído. Cheirava aquilo que o vento trazia no seu corpo de corrente de ar, e tinha na palma da mão um fio do mundo que apertava cerrando o punho tal qual se faz quando se espreme uma laranja. Era isso mesmo, como uma laranja. A travessia de barco era curta sem dar tempo a que os olhos se perdessem na paisagem igual quase do tamanho de uma coisa do tamanho de uma laranja. Não vivia ainda na companhia da minha mulher e dos nossos mais insondáveis sonhos quando conheci o marroquino. Não lhe poderia, por isso, ter contado que bonançosos esperávamos o nascimento do nosso primeiro filho, nem que haveríamos de morar longe deste sítio a tocar o mar. O trajecto sobre o rio fazia-se através desta gente humana que trepava aos cumes das coisas que existem na natureza, árvores, montanhas de lodos, lamas e casas sem pessoas lá dentro, canções tocadas em flautas de pau. De nada serve a paisagem quando não há dia, quando tudo em volta é como a noite sem luz. Acontecia ao mundo, por vezes, ficar sem sombra debaixo deste céu. Tomado de um tom pálido era da cor da terra seca, sabia a sal, sentia-se muito quente o ar quente.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

113




É altura de voltar ao grande lago de marfim. Os canhões da tormenta já não se ouvem. Vou pela vereda abaixo, pelo caminho ferido, até encontrar uma pedra de sal com que hei-de temperar a carne viva. Digo-vos alguma coisa da experiência, quando lá chegar, não me vou esquecer disso, prometo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

111



Os teus pés estão quase sempre frios à hora do chá, por isso tens um gato ao lume do colo quando te sentas.

sábado, 22 de janeiro de 2011

109a


CONTRA O CAVACO, CLARO!

A direita em Portugal é um produto da democracia nacional que se pode adquirir num supermercado perto de si, através de revistas de culto de sociedade, ou outros bens como o ar que se traz e o andar que se faz pelos corredores dos detergentes. A direita, ainda que exista, é uma coisa dificilmente classificável perante a ausência de uma estrutura filosófica e ideológica que produza no tecido social o reconhecimento de uma conduta politica característica. Pode traduzir-se, lato senso, por um conjunto de comportamentos que vão do politicamente correcto, ao beato extremista. E os pobres? Pergunta-se? Aos pobres dá a direita esmoler, esmola. E de resto, que se fodam os pobres.

Por exemplo, a direita é constituída por grupos sociais oriundos da cintura agrária de Beja, e de Évora, e do remanescente salazarismo católico predominante em certas zonas rurais do país, como são os mais recentes casos dos integristas católicos. Estes grupos, na maioria dos casos, são por sua vez compostos por pessoas cujo défice de informação não vai além da frequência assídua a touradas e a casas putas em Espanha, passando pelas tradicionais feiras de gado em Beja, Ovibeja, e na Golegã, Feira do Cavalo, missas e padralhada com fartura. E quanto a qualidades de debate e argumentação, o que melhor se pode dizer é a técnica da mocada, vide, por exemplo, a conversa da maioria dos taxistas da pátria.


Pois, a direita. La destra, o lado estático e imóvel, tem as suas castas que se distinguem entre si, e dos restantes seres humanos do planeta, pelo uso de patilhas, pelo tamanho do Mercedes e dos cachuchos que usam nos dedos – algumas senhoras de direita que conheci, também possuem por imperativo da genética patilhas, ou então, grandes perucas alouradas e armadas ao melhor estilo Rococó -, mas também a bota mandada fazer por encomenda e com salto de prateleira. Reforço, que para além do formal, poucas ideias tem a direita portuguesa. O caso do Dr. Paulo Portas é um caso de direita de qualidade? É sim senhor. Mas um caso mais sério, dado ser de uma ilusão pós Brideshead Revisited, ou as memorias sagradas e profanas do Capitão Charles Ryder. Uma colagem, dirão. Certamente, e ao melhor estilo pós-moderno, onde não falta o conjunto freudiano referencial, como é uso nestes casos. Do mesmo modo se poderá dizer que a série Dallas influenciou fortemente alguns grupos dominantes da direita rural nacional, como se viu durante a década de oitenta do século XX.


Um império de ruralidade atravessa, assim, a ideologia vigente da direita. Recentemente, juntaram-se às ordes de direita, os pais, as mães e os padres, dos filhos da direita que até então frequentavam o ensino particular e cooperativo, que o actual candidato da direita resolveu dar uma machadada, aquando da promulgação da Lei que diz que o Estado já não está para aturar grupos confessionais, quando oferece a melhor preço e de qualidade superior o ensino público logo ali ao lado. O Cavaco, nesse dia, estava certamente às escuras.


Nos anos oitenta a direita reviu-se no homem do leme que enterrou isto tudo. Outros se lhe juntaram sem saberem de que terra eram, sem possuírem nem bens, nem herdades, trazendo, sem sombra de dúvida, outra luz ao morganho: patos-bravos algarvios, construtores civis, jogadores de futebol, vendedores de jeeps e imóveis, agentes de seguros com jeito para a gestão autárquica, administradores de vários tipos coisas e gestores para toda a obra, jovens engravatados e filiados em jotas e esperançados num bom casamento com a filha do dono da fábrica dos lanifícios, todos, mas todos mesmo, sob a batuta do Professor Aníbal cavaco Silva que com a ajuda dos seus ministros desenvolveu este país ao ponto calamitoso que tão bem conhecemos. Quero dizer que na direita nacional cabe tudo, até mesmo o Vasco Pulido Valente e as suas crónicas – uma espécie de produto gourmet que a direita serve aqui e ali, com qualidades digestivas memoráveis - mas que não presta bons serviços. Etc., etc., etc..


Amanhã, dia 23 de Janeiro, temo que até os pastorinhos de Fátima irão votar no Cavaco.

Por isso, o melhor é não ir em sondagens. Votem, mas votem noutro, menos no Cavaco. Votem noutro que tenha realmente hipóteses de passar à segunda volta, para nos vermos livres do Cavaco.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

107a



Vous voyez?
Comme
je l'ai déjà dit, est entièrement fonctionnel malgré son âge. Et nous pouvons pisser heures de plaisir absolu.

106a


VENDE-SE

Uma preciosidade de outros tempos de valor incalculável. Penico no mais fino esmalte nacional, fundido segundo modelo à escala em forma de Palácio das Leoneiras, dito de Belém. Uma peça única, capaz de rivalizar em arte e bom gosto, em qualquer colecção particular. Apesar dos anos que tem apresenta-se perfeitamente funcional e com capacidade para satisfazer muitos litros de absoluto prazer matinal.

Advertência: o uso prolongado do Cavaco pode causar danos irreversíveis na sua saúde.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

105a



O taparuére é um homem do povo, e por isso, e só por isso, se sente desobrigado de qualquer tipo de exame público.


O Cavaco prejudica gravemente a saúde da democracia!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

104a, em Braga foi de estalo


Retrato da entrada triunfal do candidato Cavaco Silva, e da sua Sra. D.ª Maria Cavaco y Silva (pensionista auferindo qualquer coisa como 800,00€/ mês), em Braga, aplaudidos pelo povaréu em manifestação de espontânea alegria.
(Escola portuguesa, Séc. XXI - Museo Nacional de los Coches, Europa)

domingo, 16 de janeiro de 2011

103a


Ex-Voto

Milagre que fez N. Sra. do Pagode quando um cão danado conhecido pelo nome de "O Povo" atacou e tentou ferir o Sr. Cavaco Silva e a sua senhora, D.ª Maria Cavaco y Silva. O cão que se havia soltado dos grilhões que o seguravam, saltou o portão da casa dos seus donos, e tomando
por vulgares ladrões o simpático casal e a comitiva que os acompanhavam pelo país em campanha eleitoral, logo rosnou e ladrou, atacando-os sem piedade. Valeu-lhes N. Sra. do Pagode, que serena interveio junto dos acossados, salvando-os do grande azar de ferimentos provocados pelo animal irado, evitando o pior dos cenários. Ainda assim, a divina intervenção não foi capaz de evitar que a Sra. D.ª Maria se virasse de pantanas, enquanto que o seu marido se punha aos pinotes gritando por albuminado socorro.

102a A reforma da minha Maria

O CAVACO E A SUA SENHORA SAUDANDO A MULTIDÃO EXULTANTE, LOGO APÓS O CANDIDATO TER CONTADO AO POVO E ÀS CRIANÇAS O MONTANTE DA MÍSERA REFORMA DE D.ª MARIA CAVACO Y SILVA.

sábado, 15 de janeiro de 2011

100a Cavacowares


CONCURSO

Envie-me a sua melhor frase sujeita ao tema:
"Porque razão é quase impossível distinguir
o candidato Cavaco Silva dos Tupperwares?"

Prémios de sonho em calçado ortopédico